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Quarto CD do compositor sergipano apresenta leque variado de ritmos 
O compositor sergipano Rubens Lisboa lança seu quarto trabalho, o CD Arteiro. Produção independente distribuída pela Tratore, o álbum traz quatorze novas músicas cantadas pelo próprio artista.
Rubens Lisboa canta de maneira charmosa seu repertório. Não é cantor de malabarismos vocais, tem interpretação econômica e inteligente, passando as intenções e o sotaque de sua música. Rubens é acompanhado por um trio de bons músicos que conta com Saulo Ferreira (violão), Robson Souza (baixolão) e Pequeno (percussão). A formação acústica dá asas e mantém a identidade para uma coleção de canções de alma variada.
Algumas músicas ganham participações como a bela linha de flauta que desenha Coração tambor. Na canção Fim do mundo, é acompanhado pelo violoncelo de Thiago Salvino e pelo piano de Diogo Montalvão, enquanto no samba Doce salgado conta com cavaquinho de Alan Davidson e cuíca de Bico. É um disco plural em ritmos, abordando até rock, blues, maracatu e ciranda.
Rubens é especialmente inspirado em Talento seregy. A música toca no mesmo assunto que Zélia Duncan em Pré pós tudo bossa band: "É talento demais pra um Estado tão pequeno", ironiza Rubens "Aqui nesta terra tanta gente se acha poeta / Aqui nesta terra tanta gente se faz de artista / Aqui nesta terra tanta gente se faz de profeta / Aqui nesta terra tanta gente se diz jornalista". A ironia também passa pela primeira faixa, Chamego: "Não sou Gianechini, mas eu sei que vais gostar", declara.
Em tempos de computadores que fazem arte, Rubens parte para um caminho artesanal. Sua música tem essa alma e a linguagem se estende ao ótimo projeto gráfico, com ilustrações e notas escritas à mão. Na música que encera o disco, Contramão, Rubens toca na sua fórmula toda própria: "Não gosto de modismo / Jamais quis virar mito / Descarto correntinha / Sou muito esquisito", define.
Em Arteiro Rubens deixa transparecer essa personalidade. Ele é um artista que não quer clonar e nem seguir ninguém. Faz sua própria música, de maneira bem pessoal e cria seu espaço. E isso fica claro quando a diversidade de ritmos que passa pelas 14 faixas constrói uma unidade.

Rubens Lisboa