Resenha de álbum

Rubens Lisboa é um cantor e compositor nascido em Aracaju, Sergipe, cuja obra é caracterizada pela diversidade rítmica, onde consegue urdir músicas com sonoridades como reggae, baião, tango, toada, ciranda, frevos, valsa, além de outros temas. Ao longo de sua carreira, tem lançado seus CDs em formato independente, totalizando quatro álbuns até agora, sendo o último, “Arteiro”, lançado em 2010.

A pluralidade de seus temas o levou à ideia de convidar alguns amigos do meio musical para gravarem suas obras inéditas. Rubens encaminhava as suas novas canções no formato voz e violão e cada artista tinha então a liberdade de criar em cima de cada faixa.

Os convites foram sendo aceitos e o projeto naturalmente cresceu, dada a quantidade de convidados e, principalmente, a enorme seleção de canções inéditas do compositor. Tal fato resultou nesse ambicioso songbook composto por três CDs de canções inéditas, o que faz desse projeto uma peça única na história da música popular brasileira.

As canções são bem elaboradas e as letras ora rebuscadas, ora diretas, embalam sambas, baladas e tantas outras experiências sonoras, o que acaba tornando essebox uma peça fundamental na coleção de qualquer fã da música brasileira.

Dessa forma, alguns dos grandes nomes da música emprestam suas vozes e arranjos para essas novas canções. Leila Pinheiro, por exemplo, abre os trabalhos no CD 1 com a bela “Ciranda do Amor”, Amelinha incorpora “Eu No Mundo”, dando um ar clássico à canção. Muito instigante também ouvir novamente o cantor e compositor Wado com sua costumeira acidez interpretando “Sem Malandragem”, a alternatividade de Silvia Machete em “Diferente” ou ainda “Drummondiana”, sambinha bem sacado na voz de Fabiana Cozza. O samba “Carrapato” é outro destaque entre as novas canções e é ainda mais bem sucedido por ganhar o respeitoso e característico vocal de Elza Soares.

Outros nomes menos conhecidos se mostram gigantes ao interpretarem algumas dessas canções. Ana Costa, por exemplo, consegue furar a chamada “Greve do Samba”, esbanjando talento e dedicação vocal. Já Edu Krieger põe o seu bloco pra desfilar na folia de “Não Me Leve a Mal”. “A Cobra”, interpretada por Fênix, é outro destaque entre as novas canções, a música é a cara do Ney Matogrosso, chegando a aguçar a imaginação em uma possível performance do camaleão na referida canção. E o que falar então de “Quase Brega” e a emocionante interpretação da cantora Cida Moreira? Bom demais! Bom também é reouvir o grupo Arranco de Varsóvia, interpretando mais um samba, a faixa “Noves Fora”, e a doçura da voz de Ana Ratto que também se sobressai na deliciosa “Replay”.

São tantos destaques que vou certamente cometer injustiças e deixar de citar todos os bons momentos do box. Por isso, bom mesmo é você pegar os CDs e embarcar nessa valorosa viagem composta por quarenta e cinco canções, organizadas em três CDs, com encartes trazendo as letras de cada uma das músicas em uma caixa com projeto gráfico construído com o esmero que a obra merece.

Resenha publicada em 09/11/2011 no www.galeriamusical.com.br

Rubens Lisboa